
O Antropocentrismo é um conceito e uma filosofia que ressalta a importância do homem como um ser dotado de inteligência e, portanto, livre para realizar suas ações no mundo. A palavra vem do do grego: anthropos "humano" e kentron "centro" que significa homem no centro. Surgiu questionando o Teocentrismo sistema onde Deus (Theos, em grego) estaria no centro do mundo. Assim, o antropocentrismo é um conjunto de ideias onde o homem representa a figura central, nos campos da cultura, ciência, sociedade e é a principal referência para o entendimento do mundo. O ser humano, para o antropocentrismo, é racional, crítico, questionador da sua própria realidade e responsável, portanto pelos seus pensamentos e ações. Busca a verdade por meio de análises e do método racional e científico, através de provas e explicações, de preferência, matemáticas. Essa independência humana de Deus levou o ser humano a refletir, criar, difundir e produzir conhecimento de outra forma, possibilitou grandes descobertas científicas e o surgimento do individualismo. Por oposição, o Teocentrismo está relacionado à religião, que explica os fenômenos naturais a partir da vontade de um ser superior. Toda a sociedade, em seu aspecto social, cultural e econômico, deveria se basear segundo Deus. Foi um conceito muito difundido durante a Idade Média quando a religião possuía um papel importante na vida da sociedade.
Humanismo e Antropocentrismo
Durante o século XV e XVI, a Europa passa por várias transformações econômicas e sociais. Alguns acontecimentos são as grandes navegações, invenção da imprensa, reforma protestante, declínio do sistema feudal, surgimento da burguesia, cientificismo, etc. Nesta época, surge o o humanismo renascentista e o antropocentrismo é parte de movimento. Com isso, os estudiosos tinham o intuito de trazer à tona questões baseadas no cientificismo empirista. Por isso, o antropocentrismo representou a passagem do feudalismo ao capitalismo mercantil, ou ainda, da passagem da Idade Média para Idade Moderna. As artes em geral (literatura, pintura, escultura, música, etc.) bem como a filosofia, se pauta em esta nova visão de mundo, a fim de criar suas obras. Igualmente, os humanistas incentivaram a inclusão de disciplinas no universo acadêmico, importantes para o desenvolvimento dessa nova mentalidade como filosofia, línguas, literatura, artes, humanidades e ciências.
Antropocentrismo e religião
Embora a figura divina fosse questionada, Deus não foi deixado de lado no Antropocentrismo. O “sagrado” ainda fazia parte da vida das pessoas, no entanto, passou a não ser a única fonte da verdade. A própria Bíblia foi bastante estudada neste momento através de novas traduções e crítica histórica. A verdade, entretanto, deveria ser buscada através da racionalidade humana (razão), pois esta seria uma dádiva divina.
HELIOCENTRISMO
O heliocentrismo é uma teoria que defende que o Sol é o centro do Universo. Portanto, de acordo com a lógica dessa teoria astronômica, os planetas orbitam o Sol. Essa teoria contraria o geocentrismo, que coloca a Terra como centro do Universo. Embora entrasse em contradição com alguns preceitos religiosos, o heliocentrismo passou a ser aceito de forma ampla pela comunidade internacional, especialmente a partir dos avanços científicos. Um dos principais defensores doheliocentrismo foi o pesquisador Nicolau Copérnico (1473-1543). Embora a teoria heliocêntrica tenha sido trabalhada na Antiguidade, foi a partir do século XVI, com o modelo proposto por Nicolau Copérnico, e, mais tarde, com as constatações feitas por Galileu Galilei, que ela ganhou força no meio científico, embora não tenha sido imediatamente aceita pelo contexto religioso da época.
Origem do heliocentrismo
A teoria do heliocentrismo surgiu como um contraponto ao modelo vigente até então, o geocentrismo. Os primeiros a teorizarem a respeito do Universo foram os pensadores gregos, ainda durante o século V da Era Comum, embora suas proposições não tivessem tido força para suplantar o modelo geocêntrico. Após mais de mil anos tendo o geocentrismo como a teoria mais aceita, Nicolau Copérnico (1473-1543) sistematizou, no século XVI, um novo modelo que revolucionou a forma de pensar da astronomia e colocou em cheque a ideia de que a Terra era o centro do Universo. Esse movimento ficou conhecido como Revolução Copernicana, e, ao seu trabalho, outros astrônomos e matemáticos deram importantes contribuições, o que ocasionou o fortalecimento do heliocentrismo. Além de Copérnico, as descobertas do astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) foram fundamentais para a comprovação da teoria heliocêntrica.
Quando o heliocentrismo foi aceito?
O heliocentrismo não foi aceito de imediato pela comunidade científica, tendo sofrido também a resistência da Igreja Católica, que se pautava no geocentrismo para explicar o Universo. O principal caso de resistência pelos grupos religiosos diz respeito a Galileu Galilei, considerado herege pelo Tribunal da Santa Inquisição pela defesa que fez do modelo heliocêntrico de Nicolau Copérnico. A publicação da obra Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo, em 1632, fez com que Galileu fosse levado a julgamento e condenado pela Inquisição. O astrônomo teve que negar publicamente as suas descobertas e sua defesa da teoria heliocêntrica, e viveu em prisão domiciliar até a sua morte, em 1642. Muitos anos se passaram até que o avanço do conhecimento científico permitisse maior aceitação do heliocentrismo. No caso da Igreja Católica, a aceitação das comprovações de Galileu aconteceu apenas no século XIX. O perdão ao astrônomo foi concedido, ainda, somente no ano de 1992, pelo papa João Paulo II.
CASO PRÁTICO: AS GRANDES NAVEGAÇÕES
Uma aparentemente estranha e distante relação permeia a visão geocêntrica com o período conhecimento como Grandes Navegações ou mesmo Era dos Descobrimentos (por parte dos europeus). Com o Geocentrismo, o horizonte se mostrava plano e repleto de monstros marinhos, sendo proibitivo e ameaçador, mas o questionamento do mundo natural e principalmente as experimentações humanas lograram avanços científicos. Inovações ou aprimoramentos de instrumentos náuticos, como a bússola e o astrolábio, não apenas comprovaram literalmente que a Terra era redonda, também como se criaram cartas náuticas, mapas territoriais e o melhor entendimento da navegação como um todo. Para o estado unificado de Portugal, o Renascimento teve como marca registrada o pioneirismo nas Grandes Navegações e isso, de forma geral, é apenas um dos inúmeros reflexos que trazidos pelo Renascimento